Ciranda: jogo da palavra falada Edição Ressonâncias Queer
Sábado
18h30
Duração: 90 minutos
M/12
Entrada livre (sujeita à lotação do espaço), mediante levantamento de bilhete a partir das 17h30, na bilheteira da Casa Fernando Pessoa.
Com Anna Zêpa e Maria Giulia Pinheiro
Encontro performativo de poesia criado pelas poetas brasileiras Anna Zêpa (RN) e Maria Giulia Pinheiro (SP). Inspirado no poetry slam, o jogo traz artistas a ler e interpretar obras de autoras e autores já falecidos, reavivando as suas poéticas por meio da palavra falada. A proposta cruza tradição e contemporaneidade, ativa memórias e abre espaço para outras narrativas. Nesta edição, o jogo convoca as vozes dos autores Adrienne Rich, Binyavanga Wainaina, Cassandra Rios, Fernando Pessoa, Gloria Anzaldúa e James Baldwin, cujas obras ressoam e dialogam com a cultura queer dos séculos XX e XXI. Como disse Audre Lorde, “é da poesia que nos valemos para nomear o que ainda não tem nome, e que só então pode ser pensado”.
Programa:
dai ida lê Fernando Pessoa - PORTUGAL (1888 - 1935)
David J. Amado lê Binyavanga Wainaina - QUÉNIA (1971 - 2019)
Felipe Castro lê Adrienne Rich - EUA (1929 - 2012)
Mariana Varela lê Cassandra Rios - BRASIL (1932 - 2002)
Paulo Pascoal lê James Baldwin - EUA (1924 - 1987)
Ritó Natálio lê Gloria Anzaldúa - EUA (1942 - 2004)
Sobre os participantes:
Anna Zêpa é poeta e artista nas expressões de literatura, cinema e teatro. Tem 4 livros publicados: Primeiro Corte (2013), aconvivênciadosnossosrastros (2015), Da perda à pedra a queda é livre (2016 e 2024) e Instantes Manhãs (2019). Além do Ciranda, integra os projetos literários 37GRAUS (show lítero-musical), Litheratório (laboratório sonoro poético) e Jusante (álbum poético-musical com nomes do slam brasileiro). Tem letras em parcerias musicais com Kiko Dinucci, Meno Del Picchia, Zé Nigro e Jonathan Silva. É mestranda em Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico na ESTC/IPL e sócia-fundadora da Rabo de Olho Filmes.
Maria Giulia Pinheiro é criadora, dramaturga, encenadora e agitadora cultural. Doutoranda na Universidade de Coimbra, recebeu o Prémio Nova Dramaturgia de Autoria Feminina em 2022. É autora de seis livros de poesia e dramaturgia e atua como diretora artística da FALA. Criadora de espetáculos como Viemos Roubar os Vossos Maridos (2025) e de projetos performativos como Todo Mundo SLAM (2019–2026), Slam no CAM (2025–2026) e Ginginha Poética (2019–2026), também desenvolve espaços formativos como o Núcleo de Dramaturgia Feminista (2017–2026) e o ZONA lê (2014–2026). Seu trabalho tem sido apresentado no Brasil, Europa e África.
dai ida vive atualmente em Lisboa. Criou os solos Em nome do Amor ou A Beleza do Amante e Breves Notas Sobre a Digestão, ambos com orientação de Gaya de Medeiros. Participou da performance coletiva Self-Uncensored [On Seduction and Destruction], idealizado por Sepideh Khodarahmi, além de colaborar na criação e apresentar o espetáculo infanto-juvenil É e Não É, da Companhia Cepa Torta. Foi ganhador da Minha Poetry Slam - primeira competição de spoken word em Guimarães. Foi distinguido com prémios em competições de spoken word e videopoesia.
David J. Amado é um artista jamaicano-estadunidense radicado em Portugal. É autor do coreopoema (DES)PROTEGIDOS, em processo de publicação, que articula poesia falada e movimento para abordar experiências de homens negros queer, incluindo violência sexual entre homens, masculinidade, desejo e autoaceitação, em português europeu, português do Brasil e crioulo da Guiné-Bissau. Desenvolve o roteiro da longa‑metragem TASTE, que já participou numa residência de escrita promovida pela Netflix Portugal e pela Academia Portuguesa de Cinema.
Felipe Castro é artista da palavra, licenciado em letras, mestre em literatura e professor de português no ensino público. Tem dois livros publicados de poesia (2019 e 2022) e em 2025 publicou O Perigo das Vírgulas Malpostas, livro de contos. Participa em eventos de poesia e de poetry slam, sendo o vice-campeão do slam nacional de Portugal de 2023 e 2025. Foi distinguido com uma menção honrosa no concurso Declamar Abril (Gerador, 2024) com a performance Resistir é sambar na cara do cansaço e da tragédia - Re(x)isto.
Mariana Varela é escritora e poeta. Publicou Enigmas de Jaguar e Jasmim (2019) e Rotativa (2022), ambos pela editora Urutau. Editou a mini-revista literária Frente! e edita atualmente a revista literária Letra Lenta. Faz doutoramento em Filosofia e escreve artigos na Intersecção da Estética e da Filosofia.
Paulo Pascoal escreve a partir do corpo que lembra e da memória que insiste. Ator, autor e curador, constrói uma obra onde a palavra se faz arquivo sensível, atravessada por deslocamentos, afetos e silêncios herdados. Fundador da plataforma Peaceful Nation e cofundador da União Negra das Artes, a sua prática literária propõe outras formas de escuta, inscrição e permanência, onde a literatura se afirma como gesto de cuidado, resistência e reinvenção
Ritó Natálio é artista e investigador. Lésbica não-binárie. Os seus espaços de prática combinam a escrita e a performance, seja na criação, no ensino, na investigação ou na organização de programas públicos. Doutorou-se em Estudos Artísticos e Antropologia. Da sua pesquisa, emerge um conjunto de palestras-performances apresentadas internacionalmente. Destaca‑se Spillovers (2023), uma tradução fabulada em torno de Lesbian peoples: Material for a Dictionary (1976), referência icónica do feminismo lésbico de Monique Wittig e Sande Zeig. É, desde 2020, coordenador da Terra Batida, uma rede de pessoas, práticas e saberes em disputa com formas de violência ecológica e políticas de abandono. É artista associado da Associação Parasita, uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Ministério da Cultura/Direção‑Geral das Artes entre 2023 e 2026.