"Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão"

Livro do Desassossego

Casa Fernando Pessoa, Museu de Literatura

A Casa Fernando Pessoa é um museu de literatura localizado em Lisboa, capital de Portugal. Nesta cidade da costa atlântica, viveu Fernando Pessoa, o poeta português mais conhecido internacionalmente.

Criador dos famosos "heterónimos", Pessoa publicou em vida somente um livro de poemas, mas deixou quase 30.000 papéis soltos numa arca de madeira que revelaram, após a sua morte, o escritor genial que foi.

A Casa Fernando Pessoa é responsável por promover e divulgar o seu legado. Inaugurada em 1993, apresenta uma exposição que acompanha Fernando Pessoa desde a sua infância até ao fim da sua vida. Fernando Pessoa morou neste edifício nos seus últimos 15 anos. A sua memória habita este lugar de uma forma viva, através de objetos pessoais, histórias e livros.

Diariamente, a equipa da Casa Fernando Pessoa recebe visitantes de todos os pontos do mundo e de perfis muito diversos: estudantes e investigadores, jovens e idosos, especialistas em literatura ou pessoas recém-chegadas à poesia.

A si, que está agora a ler estas palavras, fazemos um convite: visite Lisboa, visite a Casa Fernando Pessoa. Muito provavelmente irá encontrar um poema de Pessoa que parece ter sido escrito exatamente para si.

 

 Pessoa escreveu aquileu aquiviveu aqui

A atual exposição de longa duração da Casa Fernando Pessoa foi inaugurada em 2020, após obras de remodelação que tornaram o museu mais acessível, mais sustentável e dotado de um discurso museológico renovado, capaz de comunicar abertamente com os visitantes.

A exposição desenvolve-se em torno de três grandes temas: 1. Fernando Pessoa como escritor, com destaque para a criação dos heterónimos; 2. Fernando Pessoa como leitor, através da sua Biblioteca Particular; e 3. Fernando Pessoa como homem que viveu entre 1888 e 1935 e que revolucionou a literatura do século XX.

Para além da exposição, fazem parte deste museu uma biblioteca de livre acesso especializada em poesia, uma livraria-loja e um auditório, onde é regularmente apresentada uma programação variada não só sobre Pessoa mas também sobre poesia contemporânea e sobre promoção da leitura e da escrita.

Faz parte da missão Casa Fernando Pessoa promover a reflexão e o debate sobre o poder da literatura e os efeitos transformadores da leitura.

Em 2021, a Casa Fernando Pessoa ganhou o prémio de Melhor Museu Português, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia.

 

Os outros nomes de Pessoa

A “heteronímia” é um dos traços mais distintivos da escrita de Pessoa. Desde cedo, nas suas brincadeiras de criança, Fernando Pessoa fez-se rodear de um grupo de pessoas imaginárias – “amigos e conhecidos” – que foram seus companheiros literários e de vida.

De entre as figuras imaginárias criadas por Fernando Pessoa, destacam-se os seus três heterónimos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Têm uma biografia própria e os textos que assinam formam conjuntos coerentes, sobretudo de poemas, escritos com estilos e temas diferentes. Pessoa queria que fossem lidos como escritores distintos.

Sobressai também Bernardo Soares, autor da maior parte dos fragmentos do famoso Livro do Desassossego, a quem Pessoa deu o estatuto de semi-heterónimo, por ser demasiado parecido consigo na personalidade e, portanto, menos “outro”.

A singularidade de Fernando Pessoa é visível no que escreveu e assinou com o seu nome ou com o nome de outros que considerava serem tão ou mais reais que ele próprio.

 

 Os livros que Pessoa leu

A coleção mais valiosa da Casa Fernando Pessoa é a Biblioteca Particular de Pessoa. Composta por cerca de 1200 livros, abrange autores e temas muito variados.

Pessoa começou a fazer a sua biblioteca ainda em criança, nos anos em que viveu na atual África do Sul, quando estudava na Durban High School. As temáticas que interessaram Pessoa eram muitas e bem diferentes: dos romances policiais à poesia clássica, da mecânica à ginástica e à filosofia. A maioria é em inglês, mas há também livros em francês, espanhol, grego, galego, latim, italiano e, claro, português.

Em muitos desses livros, Pessoa deixou notas escritas à margem ou até poemas inteiros. O espólio documental de Pessoa, que inclui a sua Biblioteca Particular, foi classificado Tesouro Nacional, por decreto de 2009.

Estes livros foram digitalizados e podem ser consultados online desde 2010. Neste site, pode folhear, página por página, os livros que Pessoa leu e anotou.

 

Ficha técnica

Conteúdos: Casa Fernando Pessoa

Traduções para espanhol argentino: Maria João Machado

Conceito e design: atelier-do-ver

Produção e construção: Taura Media

 

 

A Casa Fernando Pessoa é tutelada pela EGEAC, empresa municipal que promove a Cultura em Lisboa. A EGEAC é responsável por um conjunto diversificado de museus, monumentos, teatros, galerias, um cinema e iniciativas em espaço público. Com base numa programação sustentável, diversa e acessível, afirma-se como uma das principais empresas culturais de Portugal.